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Pare de falar e comece a fazer




Pequenas atitudes diárias e mudanças de hábito podem contribuir com a proteção do meio ambiente. Todos podemos fazer nossa parte.



Veja como:

• Todos sabemos (mas às vezes esquecemos) que podemos economizar água de maneiras simples, como não deixando a torneira ligada ao fazer a barba, lavar o rosto ou escovar os dentes.

• Reutilize a água usada na lavagem de roupas para a limpeza de calçadas, de quintais ou mesmo para lavar seu carro.

• Usar um barbeador elétrico ou lâmina de barbear com lâminas substituíveis, em vez de descartáveis, ajuda muito na redução de resíduos.

• Use toalhas para secar o seu rosto e mãos ao invés de lenços de papel descartáveis. Além disso, pendure suas toalhas para secar, para que possam ser reutilizadas várias vezes.

• Prefira fraldas de pano em lugar das descartáveis, que ficam anos acumuladas em lixões.

• Compre bebidas em garrafas reutilizáveis (de vidro ou alumínio), ao invés de porções únicas em embalagens descartáveis.

• Ao embrulhar o seu lanche, opte por embalagens reutilizáveis para armazenamento dos alimentos, em lugar de folhas de alumínio ou saquinhos de plástico.

• Ao sair de casa, não se esqueça de desligar todas as luzes e aparelhos eletrônicos; desligue também carregadores, pois estes continuam a consumir mesmo se não estiverem mais carregando. Poupar energia ajuda a reduzir a poluição do ar.

• Ao comprar aparelhos eletrodomésticos, verifique nas especificações técnicas se são eficientes no consumo de energia.

• Não vá a lugar nenhum sem a sua sacola de pano, de modo que você possa simplesmente dizer "não" ao plástico sempre que for fazer compras.

• Por mais radical que pareça, a forma mais fácil de reduzir suas emissões de carbono é minimizar o uso de automóveis. Ao invés de dirigir, tente andar de bicicleta, caminhar, pegar carona, usar transportes públicos etc.

• Se você não tem outra opção senão dirigir para o trabalho, procure por carros de maior eficiência de combustível e mantenha os pneus regulados na pressão correta para reduzir o consumo do seu carro.

• Agora, se você está entre a maioria dos motoristas que passam horas presos no trânsito, considere desligar o motor se for ficar parado por um período longo.

• Para os apressadinhos, lembre-se que dirigir agressivamente aumenta o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa. Por isso, se você quiser contribuir com o meio ambiente, acelere gradualmente e tente manter uma velocidade constante.

• Você tem o hábito de beber café? Usar uma caneca lavável é uma alternativa ecológica aos copos plásticos ou de isopor não-biodegradáveis.

• Deixe um copo de vidro e uma garrafa reutilizável no local de trabalho para diminuir a quantidade de copos plásticos ou de garrafinhas de água. 80% de garrafas de plástico são recicláveis, mas apenas 20% são efetivamente recicladas.

• Quando precisar de folhas para rascunho, use o verso daqueles documentos antigos que você não precisará mais.

• Se não existir um sistema de reciclagem no escritório, inicie um! Reciclagem de lixo contribui efetivamente para a redução de emissões de carbono. E estima-se que 75% do que é jogado no lixo pode ser reciclado, embora atualmente a reciclagem seja de apenas 25%.

• Quando for imprimir, imprima frente e verso.

• A maioria dos acessórios de computadores como cartuchos de tinta, CDs e DVDs são feitos de materiais que poderiam ser reutilizados. Os cabos e alto-falantes são bastante padronizados, o que significa que eles podem ser reutilizados em vários modelos de computadores.

• Reduza as emissões de carbono do seu escritório, configurando computadores, monitores, impressoras, copiadoras, alto-falantes e outros equipamentos no seu modo econômico e desligando-os ao final do dia.

• Desligue todas as luzes desnecessárias, especialmente nos escritórios e salas de conferência, banheiros e áreas que não estão sendo utilizadas.

• Se você está em busca de algo para personalizar o seu escritório, escolha plantas de interior. Essas plantas são boas para o ambiente, pois removem poluentes presentes no ar.

• Nos dias de calor, experimente abrir as janelas e usar roupas leves ao invés de ligar o ar-condicionado.

• Não coloque lâmpadas ou televisores perto do seu ar-condicionado, uma vez que este irá identificar o calor proveniente desses aparelhos e, por isso, trabalhará mais tempo que necessário.

• Quando cozinhar, faça com que o tamanho da panela corresponda ao tamanho da boca do fogão, assim reduzirá o gasto energético.

• Doe o que não quiser ou não precisar mais, ao invés de jogar fora.

• Recicle, Reduza e Reutilize.

• E plante uma árvore!
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Um e Outro- Paulinho Moska

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Se eu sei o que devo fazer, por que não faço?

Se eu sei o que devo fazer, por que não faço?

por Patricia Gebrim

"Precisamos perceber quando estamos tendendo a simplesmente "reagir" ao mundo, de acordo com uma emoção condicionada. Precisamos pensar, usar a razão para reavaliar a situação e correr o risco baseados na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar que agora pode ser diferente do que foi lá atrás"

Muitas vezes em nossas vidas sabemos exatamente como deveríamos agir ou nos comportar, e ainda assim nos sentimos incapazes de fazer o que deve ser feito.

Como se fios invisíveis nos amarrassem e aprisionassem, limitando nossos movimentos, só nos resta a sensação de impotência, um gosto amargo de frustração e a repetição de cenas já conhecidas que nos impedem de ir em direção à felicidade.

Como se fôssemos prisioneiros de nós mesmos, ficamos lá, paralisados, embora tudo em nós grite:

- Mova-se!

Quem já se sentiu assim sabe o quanto é difícil.

- Se sabemos que devemos nos mover, por que não seguimos adiante?

É a pergunta que não nos deixa dormir em paz.

É claro que se fôssemos seres puramente racionais, nada disso aconteceria. É facil resolver as coisas no campo da teoria e daquilo que é meramente racional:

- Esse relacionamento lhe faz mal? Então deixe-o e busque algo mais saudável... Parece simples não?

Mas o fato é que não somos só uma cabeça que pensa e analisa. Somos também seres emocionais, como se dentro de nós existisse um lago feito das mais diversas emoções. A nossa cabeça pensante é como uma pedra lá no meio do lago, muitas vezes parcialmente submersa, outras vezes totalmente coberta pelas emoções, a ponto de nem mesmo conseguirmos enxergá-la.

Lago das emoções

O lago das emoções começa a surgir muito cedo na vida, a partir de nossas primeiras interações com o mundo que nos cerca. Esse lago é formado por tudo o que sentimos, desde a infância até hoje. Assim, diferentemente do lado racional que se baseia em analisar a compreensão dos fatos, num entendimento lógico do mundo; o nosso lado emocional é feito de uma mistura confusa de sentimentos. Lá no seu lago está o que você sentiu quando alguém brigou com você pela primeira vez na vida, está o seu medo do escuro, a raiva do coleguinha que grudou chiclete no seu cabelo, a tristeza que sentiu quando seu gatinho morreu, a alegria de andar na sua bicicleta nova e tantos outros sentimentos. A partir desses sentimentos, sem se dar conta, você foi aprendendo a reagir ao mundo.

O saudável seria que razão e emoção conversassem entre si e que ambas tivessem espaço em nossas vidas, em nossas decisões. Mas se o lago transborda, se a sua razão se torna uma pedra submersa, lá no fundo, tão no fundo que você mal consegue ver... então a emoção se tornará a condutora de sua vida. E a sua emoção irá sempre pelo caminho já demarcado anteriormente. Como um rio, que segue sempre pelo leito escavado na terra, a água flui por onde já passou muitas vezes, instituindo a repetição como regra em nossas vidas. E assim ficamos lá, repetindo, repetindo, repetindo.

Para que você entenda de forma prática, imagine que quando criança você sempre tenha se sentido menosprezado por seus coleguinhas na escola. Você aprendeu lá atrás a sentir-se frágil, pequeno, indefeso e inferior. A sua emoção continuará fazendo com que você se "sinta" assim. Mesmo que hoje você tenha crescido, se tornado muito forte, capaz e mais poderoso do que qualquer um de seus ex-coleguinhas; se você se deixar guiar pela emoção, talvez evite entrar em situações de confronto, esperando perder, como acontecia no passado.

MEDO (BASEADO EM EXPERIÊNCIAS PASSADAS) + GENERALIZAÇÃO = PARALISIA
Em geral ficamos paralisados porque somos prisioneiros de um passado, de uma visão distorcida de nós mesmos que nega a verdade de nosso ser.

Ficamos paralisados porque sentimos medo. Pense por um instante:

- O que você teme?

Fora alguns medos que são inatos (presentes desde o nosso nascimento e que tem a função de preservar a nossa integridade física), a maioria de nossos medos relaciona-se às nossas experiências passadas (por exemplo, um dia você foi rejeitado ao tentar brincar com um grupo de coleguinhas, e a partir daí se retraiu e passou a temer se expor em relações sociais).

Nossas emoções tendem a generalizar indevidamente as experiências que vivemos. Assim, o medo somado às generalizações acabam nos aprisionando.

- "Um dia foi assim , logo... acontecerá assim novamente!"

Para sair dessa prisão precisamos correr o risco de testar a vida novamente. Precisamos perceber quando estamos tendendo a simplesmente "reagir" ao mundo, de acordo com uma emoção condicionada. Precisamos pensar, usar a razão para reavaliar a situação e correr o risco baseados na pessoa que somos HOJE, checar, acreditar que agora pode ser diferente do que foi lá atrás.

É o seu racional que pode lhe ajudar a enxergar quem você é hoje. O seu racional poderá lhe fazer raciocinar, perceber que hoje você é um adulto bem diferente daquela criança que foi. O seu racional pode lhe mostrar fatos que comprovem sua capacidade e pode instigar você a testar o mundo com base no presente, e não no passado.

Assim, se você se encontra paralisado em alguma situação da sua vida, faça uma lista prática de todos os medos que consegue associar a essa questão, e depois, racionalmente, perceba se existem experiências passadas associadas a eles. Avalie se esses medos são reais ou são generalizações de experiências passadas. E enfrente-os! Comece pelos mais fáceis, até que vá se sentindo mais seguro e confiante.

Você é capaz de mudar sua vida. Não desista. Mova-se!
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Sncronicidade

Sincronicidade





Com freqüência vivemos em nosso cotidiano, em um mesmo intervalo de tempo, um bloco de situações paralelas e muito semelhantes entre si. Por exemplo, na experiência com meu consultório médico observo fatos incomuns que, de repente, começam a acontecer ligados pela dimensão do tempo. Lembro-me de ter feito, até aqui, dois únicos diagnósticos da doença de Paget em minha vida profissional. Estes dois casos aconteceram com dois dias de intervalo, em uma mesma semana. Isto já faz vários anos. Assim como não tinha encontrado antes esta doença, não mais a vi depois.



Existem épocas que só aparece um determinado tipo de doença mental, por exemplo, a esquizofrenia e, com delírios muito semelhantes. Todos sabemos da alta prevalência deste mal na população geral, entretanto, ficamos às vezes muito tempo sem receber um caso novo no consultório, até porque, pela gravidade do quadro clínico, a família já leva o paciente direto aos hospitais para internação. Já observei, também, se a causa poderia ser algum fator climático, aplicando as informações dadas pela meteorosensibilidade - capítulo da ciência biomédica que cuida das interferências climáticas em nossa saúde - que pode trazer à tona nossas doenças dormentes, ou alterar nossos ritmos vitais, como sono/vigília, fome/saciedade, curvas circadianas de secreções do nosso metabolismo e, que obedecem rigidamente a um relógio biológico interno que todos temos - objeto de estudo da cronobiologia - com a descoberta de importantes ritmopatias, mas não pude fazer qualquer correlação clima/ritmo/doença.

Entretanto, mesmo atento aos recentes progressos da ciência, não encontro explicação para o fato de receber, de tempos em tempos, lotes de pacientes com as mesmas doenças e com queixas muito semelhantes, que vão além daquelas simplesmente esperadas pela própria doença.



É costume se dizer que uma desgraça nunca vem sozinha. A crença é de que venham em pacotes. Quando a sabedoria popular se manifesta, temos de parar um pouco para pensar. São crenças muito antigas que sobrevivem à seleção natural da cultura, transmitindo-se regularmente por memes.

Estamos falando de coincidências com significado especial para quem as experimenta. É claro que partimos do ponto de que seus protagonistas estão sadios mentalmente, pois, haveria o grande risco de estarmos simplesmente lidando com fenômenos delirantes, tão comuns na prática psiquiátrica.

Já não lhe aconteceu de, de repente, pensar em alguém que já não vê há anos, lembrar-se deste alguém com detalhes de cenas e acontecimentos cheios de significados para você, o dia continua, você esquece do fato, e nesse mesmo dia este alguém lhe telefona para ter notícias suas?

Ou, de você ter sonhado com algo estranho, e aparece alguém falando exatamente daquilo que você sonhou? E, veja bem, não se tratando de déja-vu, que tem uma fenomenologia bastante própria facilmente identificável.

Lembremos de grandes descobertas científicas que acontecem ao mesmo tempo sem que seus autores jamais tenham tido idéia de que sua pesquisa estava sendo feita por algum outro cientista.

Também no caso das invenções, simples ou de alta tecnologia, que são feitas com cuidados de sigilo empresarial, e descartando a possibilidade de espionagem específica, surgirem, ao mesmo tempo, idéias quase idênticas.

Em nenhum momento estamos pensando em algo esotérico, oculto, místico-religioso, tampouco estamos interessados em fenômenos de percepção extra-sensorial, pois não somos profissionais da parapsicologia.

Até pelo contrário, somos absolutamente céticos quanto a essas possibilidades, e ainda que a metodologia científica deixe muito a desejar, ainda é o único instrumento fidedigno que temos para lidar com a realidade dos fenômenos externos ou internos a nós mesmos. Estamos cientes das críticas feitas em psicologia quanto ao introspeccionismo quando usado como ferramenta de trabalho para a ciência. Aceitamos as críticas, e isso nos torna ainda mais cautelosos para não cairmos nas explicações metafísicas ingênuas.



Se lançarmos um dado com suas seis faces numeradas de 1 a 6, a probabilidade para cada face se mostrar é de 1/6. Se eu jogo 20 vezes o dado, cada jogada manterá esta mesma proporção de probabilidade. No entanto, apenas para exemplificar, se aparecem 18 ou 15 vezes o esperado número 6, e o dado não estando viciado, isto seria uma coincidência altamente significativa.

Neste exemplo estamos pensando linearmente, um evento após o outro se sucedendo no tempo. Mas, se fizermos a experiência de jogar as mesmas 20 vezes o dado, sendo que cada jogador esteja distante um do outro, e, no mesmo instante, dermos o sinal para lançar os dados, e a coincidência de sair uma mesma face com seu número sair da probabilidade de 1/6, digamos que saíram 17 vezes o número 3. Repetimos a experiência, e o resultado continua sendo muito acima do esperado, este fenômeno será mais que uma simples coincidência. Houve eventos síncronos de modo surpreendente e, aparentemente, inexplicável.


Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço, que acabou por se dedicar ao estudo e prática da psicologia profunda, deixando uma obra comparável com a de Sigmund Freud, em volume e importância, chamou a esse fenômeno da coincidência significativa de SINCRONICIDADE.

Em 1952 ele escreve "Sincronicidade: um princípio casual de conexão", procurando, como sempre o fez em toda sua obra, dar um tratamento à questão que fosse irrepreensível pela comunidade científica de seu tempo.

Nossa visão ocidental de mundo nos condiciona a termos um pensamento causal e de modo linear. Assim, se existir uma seqüência de eventos A, B, C, D, nós a observamos de trás para frente, perguntando-se como foi que D apareceu em conseqüência de C, C de B, e B em conseqüência de A, sempre buscando um nexo, ou cadeia causal dos elementos.


Graças às investigações da física quântica, operando sempre com uma matemática de ponta, fica provado que o princípio da causalidade nos níveis da macro e microfísica deixou de ser completamente válido. Não podemos pensar mais na causalidade como sendo uma lei absoluta, mas, como uma tendência ou probabilidade dominante.

O binômio causa/efeito é um modo de pensar mais para satisfazer nossas apreensões mentais em relação a um conjunto de eventos físicos, do que algo que atinja, de fato, completamente o âmago das leis naturais.

No oriente, em especial na filosofia chinesa, o que se desenvolve é um pensamento sincronístico, pensamento de campo, cujo centro é o tempo.

Está claro que no pensamento causal a dimensão do tempo também participa, uma vez que subentendemos que a causa vem sempre antes do efeito. No entanto, no pensamento sincronístico, a questão não consiste em saber por que tal evento ocorreu, ou que fenômeno causou tal efeito, mas, o que é provável que tenha acontecido conjuntamente, e de modo significativo, no mesmo momento. Os chineses sempre se perguntam pelo que tende a acontecer conjunta e simultaneamente (no tempo) naquele campo existencial.

Assim, o centro do conceito de campo seria um instante "t" de tempo no qual estão aglomerados os eventos A, B, C, D, do exemplo dado.

Imaginemos um círculo (campo) com um centro "t", cortado em fatias, como se fosse um bolo, ou uma pizza. As quatro fatias A, B, C, D, coexistem, unidas pelo seu centro, aqui chamado momento crítico - um certo momento no tempo - que constitui o fato unificador, o ponto focal para a observação desse complexo de eventos.

Em nosso pensamento ocidental causal, efetuamos uma enorme separação entre os eventos físicos e os eventos psíquicos. Estamos limitados apenas a observar como os eventos físicos se produzem uns aos outros, ou têm um efeito causal recíproco, e também, assim pensamos quanto aos eventos de ordem mental, que só poderiam agir entre si. Aí temos um intransponível dualismo: o universo do físico e o universo do mental. Sem intercâmbios, mas, apenas correndo paralelamente ao longo do tempo.

A pergunta que se faz hoje é se existiriam interações entre essas duas linhas. Haveria algo como uma causação mental que pudesse promover efeitos físicos, e vice-versa? E mais, não seriam duas linhas de um mesmo e único universo, o monismo?

Para a medicina psicossomática não existe mais dúvidas: ao lermos uma carta onde está escrito que alguém a quem muito amamos morreu, e daí, resultarem efeitos funcionais que poderão nos levar até a uma perda de consciência, não iremos imaginar que foi uma reação alérgica causada pela tinta e pelo papel da carta, mas sim, pelo conteúdo vivencial da comunicação.

Entretanto, o modo sincronístico de pensar é completamente diferente. Trata-se de uma diferenciação do pensamento primitivo em que nenhuma distinção jamais foi feita entre fatos psíquicos e físicos. Na indagação, por exemplo, dos chineses sobre o que é provável que ocorra junto, podem ser reunidos fatos internos e externos. Para o modo sincronístico de pensar, é até essencial observar as áreas da realidade, a física e a psíquica, e assinalar que no momento em que tivemos tais e tais pensamentos ou tais e tais sonhos - que seriam os eventos psicológicos - aconteceram tais e tais eventos físicos exteriores, ou seja, há um complexo de eventos físicos e psíquicos único no tempo.



Adalberto Tripicchio
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A Mulher é o Futuro do Homem

A Mulher é o Futuro do Homem






*por Sabina Vanderelei



“Não há homem algum tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino.“

Carl Gustav Jung



Imagine a cena: é sábado à noite e um casal de namorados se encontra. Ela propõe um cinema e ele diz não. Ela insiste e ele mantém o não. Ela pergunta o porquê e ele continua no simples não. Então ela dispara uma metralhadora de porquês e ele perde a paciência. Está declarada uma guerra. Ela recebe uma descarga de fantasias a respeito da recusa dele em ir ao cinema enquanto que para ele esse não é pura e simplesmente um não!

O enredo até pode mudar, mas esta cena é muito freqüente entre os casais modernos. Já foi constatado que homens e mulheres não falam a mesma língua. Segundo Luiz Cushnir, um estudioso de assuntos de gêneros do Instituto de Pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo, homens têm dificuldades de expressar suas emoções. Isto deve-se ao fato de que eles têm um raciocínio lógico e matemático, enquanto que as mulheres têm o raciocínio mais voltado para argumentações e questões mais subjetivas. Não podemos classificar uma forma de pensar como melhor que a outra, elas são apenas diferentes.



Em suas pesquisas nesse Instituto de São Paulo, Cushnir constatou que os homens se drogam mais e estão mais envolvidos em acidentes e mortes violentas do que as mulheres. Além disso, a taxa de suicídio também é maior entre eles. A dificuldade masculina em lidar com as próprias emoções faz com que eles se transformem em vítimas da ansiedade, depressão, doenças do humor, síndrome do pânico, fobias, pensamentos obsessivos, atitudes compulsivas e disfunções sexuais.



Tais doenças eram consideradas mais incidentes em mulheres porque o homem tem muita resistência em procurar ajuda profissional. Entretanto, como a mulher vem ganhando cada vez mais voz na sociedade, ela passou a exigir seus direitos não só como cidadã, mas também como parceira deste homem. Antigamente ela calava-se diante de uma impotência, por exemplo, mas hoje em dia ela cobra dele um tratamento sob o risco da extinção da relação. O homem passou, então, a procurar ajuda profissional e ainda assim com bastante receio e vergonha.



Vivemos numa sociedade onde a concentração de poder está no sexo masculino e este poder tem sido tão abusado que tudo o que é feminino foi diminuído e colocado em segundo plano. O patriarcado fez do sexo feminino a “segunda opção” e isso não inclui somente o ser mulher, mas principalmente todas as características subjetivas aí implicadas.



Segundo Chevalier & Gheerbrant (1997), fazem parte da dinâmica feminina os sentimentos, os afetos, as intuições, a sensibilidade ao irracional e as relações com o inconsciente. Essa dimensão feminina está presente na mulher de forma consciente e também no homem, só que de forma inconsciente. “A mulher está mais ligada do que o homem à alma do mundo, às primeiras forças elementares, e é através da mulher que o homem comunga com essas forças (…). Não será a mulher emancipada nem aquela que se torna semelhante ao homem que terá um importante papel a desempenhar no período futuro da história, mas sim o eterno feminino. A mulher é o futuro do homem.” (Chevalier & Gheerbrant, 1997, p. 421)



A concepção junguiana da Psique está baseada nos princípios herméticos, alquímicos e orientais, onde a totalidade psíquica é composta por pares de opostos. Assim, quando um homem olha para dentro de si, ele vê o seu oposto complementar, ou seja, a sua alma com a natureza feminina, que Jung denominou anima. Isso não quer dizer que a essência dele seja feminina, mas que um homem só será um ser total e completo a partir do momento em que ele conseguir integrar esse arquétipo da anima à sua Psique. Os homens teimam em reprimir em si mesmos seus traços femininos porque a cultura assim determina. “Porque o que é feminino é estranho para um homem, tende a se localizar no inconsciente e, daí, exercer uma influência, que se torna maior pelo fato de estar escondida“.(SAMUELS, et al,1988, p. 86).



Entretanto, tudo aquilo que é vivo amadurece. Segundo Jung, carregamos dentro de nós a pessoa que devemos ser, mas para ativar isso é necessário um longo processo, chamado individuação. Jung não considera este um processo passivo, que simplesmente acontece. Ele precisa ser vivenciado de forma consciente. Ninguém individua-se espontaneamente, é um trabalho árduo, que leva uma vida inteira. A individuação consiste na integração de todas as instâncias da Psique, onde o self funciona como o centro integrador e totalizador, pois ele carrega em si todas as nossas possibilidades do vir a ser. Um exemplo disso seria, no caso do homem, a integração do seu ego masculino com a sua anima, estabelecendo-se, assim, a Coniunctio, denominação dada ao simbolismo alquímico de um casamernto interior de opostos.



A anima funciona como uma mediadora entre o ego e o self. Assim, para o homem trilhar seu processo de individuação, para tornar-se o que ele é em essência, é necessário que ele assimile, entre outras coisas, a sua dimensão feminina interna. Essa característica mediadora do feminino é muito observada nas antigas culturas, onde as sacerdotisas faziam o papel de oráculo, trazendo mensagens dos deuses para o mundo dos homens. Bruxas, feiticeiras e fadas são exemplos de personificações da anima, trazendo consigo sempre um conteúdo mágico e divino. O self seria a nossa dimensão divina inconsciente e é de lá que a anima traz as preciosas informações para auxiliar o homem na sua caminhada.



Como a anima sai do mundo do inconsciente para se fazer presente ao ego? O primeiro contato do homem com este arquétipo é no seu relacionamento com a sua mãe nos primeiros meses de vida. Mais tarde, ele procura sua anima nas mulheres com quem se relaciona. Segundo M. L. Von Franz, “é a presença da anima que faz o homem apaixonar-se subitamente ao avistar pela primeira vez uma mulher, sentindo de imediato que é ela.” (Von Franz, s/d, p.180).



Isto ocorre porque, segundo Jung, a anima é ligação, é emoção, é Eros. Ela faz com que ele busque um relacionamento e, dependendo de sua configuração psíquica, isso será positivo ou não. Robert Johnson define o amor romântico como o laço que une homens e mulheres. Se o homem gozar de uma harmonia interna, ele irá reconhecer a mulher diante de si e fará dessa experiência algo proveitoso para o seu próprio crescimento interior. Viver bem com uma parceira significa também viver bem com a sua anima. No entanto, o que vemos normalmente são homens que insistem em colocar o feminino fora de si. Ao se depararem com uma mulher eles se sentem perdidos, sem saber como agir, porque estranham esse ser que está diante de si. É claro que esse estranhamento também ocorre na mulher, porque a sua dimensão masculina, o animus, também encontra-se inconsciente. Conforme já foi dito no início deste artigo, as dinâmicas masculina e feminina funcionam diferentes, embora sejam complementares.



O estigma do feminino tende a afugentar quem o procura. Os homens românticos e sensíveis tendem a receber rótulos pejorativos e, gostar de discutir a relação, é um comportamento normalmente atribuído às mulheres. A imagem do homem ideal tende a ser um tanto heróica, máscula, forte e viril. Isto não quer dizer que tal imagem não possa existir, porém reduzir o homem a esse esterótipo significa polarizar a sua personalidade na dimensão masculina e ignorar o seu feminino que lhe é complementar.



Homens e mulheres de fato são diferentes, mas isso não significa que sejam rivais. Depois da revolução feminista dos anos 60, o homem sentiu-se desafiado pela nova mulher que surgiu. Se ambos passarem a se ver como duas faces da mesma moeda, como partes complementares de um todo, talvez encontrem a si mesmos.



*Sabina Vanderlei é Psicóloga Junguiana e Mestranda em Filosofia: sabinavanderlei@gmail.com
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Acorrentado


TEARS FOR FEARS - Woman In Chains (clip


Ciúmes uma palavra que vem do latim zelemum e do grego zelus. Uma reação ao risco de algum tipo de perda, voltado para o outro. É um querer bem, mais para o outro, desviando sua atenção, para o que anda acontecendo internamente.


Freud entende o ciúme como parte da natureza humana e que se instala na infância, como ponto central o complexo de Édipo, ou seja, o ciúme que a criança sente do pai que ama.


Já para outros autores o ciúme seria o medo disfarçado em amor, ou fruto de relações narcisistas na infância.


Nesse vídeo do Tears For Fears, podemos observar o quanto a mulher anula o seu posicionamento, e acaba vivendo aprisionada pelos desejos do parceiro.Quantos de nós não passamos por uma situação parecida?Onde o outro tem total autoridade sobre nossos atos. Quantos ainda vivem acorrentados e não sabem que é bem pior.


Grande parcela da humanidade vive acorrentada, entre seus desejos, emoções e impulsos. Entendemos que o homem tem seu instinto e que ele fala mais alto em muitos casos, mas por outro lado também existe a questão além do ciúme que é "a possessão”. Que nada mais é que a ansiedade ao extremo.


Uma frustração muitas vezes amorosa, convivência com famílias desestruturadas, escola ou ambiente de trabalho nocivo ou ameaçador, podem causar um acúmulo de ansiedade, ou a pessoa pode ficar de tal maneira comprometida emocionalmente, que tentar buscar uma saída para fugir desta realidade. A obsessão associa-se a um desejo intenso e a uma necessidade de preenchimento desta privação.


Essa obsessão pode levar o outro a um mecanismo de estratégias para seduzir, levando a atração fatal, que busca a possessão como forma de incluir o outro em sua própria vida, tentando o máximo de controle, pois a falta deste irá provocar intensa dor e isso é o que ele vive fugindo.


Fortes emoções acontecem à vida de uma pessoa obsessiva, ela acaba tornando-se atormentada psiquicamente e interpessoal. Podem também ocasionar manifestações de ciúmes patológicos, onde as conexões entre fantasias e realidades se perdem facilitando episódios psicóticos onde a ação torna-se real. A pessoa propensa a um amor obsessivo, tem dificuldades de relacionamento saudável ligando-se a relações amorosas complicadas, repletos de brigas, desconfianças e ciúmes, com desfechos muitas vezes violentos.


Grande parte também se torna atraída por essas relações fixando-se em parceiros problemáticos e indisponíveis, parceiros emocionalmente inacessíveis, muitos dos quais não se sentem da mesma maneira por ele ou ela.


Esta luta entre parceiros é um desvio onde as pessoas obsessivas não querem observar e sentir seu próprio desafeto e seu próprio terror, pois sentem que a relação com o outro é muito dolorosa e ao mesmo tempo o contato é muito assustador, pois para eles, isso vai acabar novamente em dor e separação.


O obsessivo quando se sente acuado em suas próprias estratégias, percebe-se perdendo o controle, passa a ter medo das conseqüências e percebe que suas vias de evacuação estão cortadas.


Uma vez que não é possível fugir, o único meio disponível para escapar é o recuo no mundo irreal de fantasias e obsessões, pois percebe que seu mundo está em constante tensão, um inferno sem alívio ou fuga física, onde a fantasia, muitas vezes trágicas, se torna a única opção. O transtorno obsessivo compulsivo é um distúrbio debilitante e destrutivo


Este sentimento é deveras democrático, pois qualquer pessoa, independente de raça, sexo, etnia ou classe social, está sujeito a ele. Ele só desaparecerá quando o Homem aprender realmente a amar, o que implica aprender que ninguém é dono de ninguém, pois o outro é livre, e assim somente os laços do amor podem mantê-lo ao nosso lado.


Portanto, apenas ao curar as dores da alma, entre elas o medo, a falta de confiança em si mesmo e no outro, a insegurança, entre outras, é que este monstro devorador das relações afetivas será vencido.

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Osho diz :Deus não é uma solução, mas um problema





Osho coloca que a criação não está completa que vivemos
em um processo evolutivo, e que isso não está totalmente construído.
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Campanhas da Benetton


De alguma forma causa um impacto visual observar essas imagens, mas ao mesmo tempo me pergunto, será que não estamos acostumados a camuflar tudo e vivermos em um "conto de fadas" criado pela publicidade?

Abaixo segue algumas das peças mais conhecidas de Oliviero Toscani.

Tirem suas próprias conclusões.












campanha United Colors da Benetton em 1991.



campanha de Oliviero Toscani para a grife italiana No-l-ita




























Mostra um monge tibetano e um soldado chinês se cumprimentando tendo ao fundo a palavra “Vitímas”. Veiculado no dia da abertura dos jogos olímpicos de Pequim, causou impacto, polêmica e, é claro

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18 de maio: Dia Nacional da Luta Antimanicomial





O dia 18 de maio - Dia Nacional da Luta Antimanicomial - deste ano tem muito a comemorar. O ano de 2010 representa um avanço para a Luta Antimanicomial, com a realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental (CNSM) - Intersetorial, entre os dias 27 e 30 de junho, que pretende discutir e traçar novos rumos para a área.

O tema solidariedade: há em ti, há em mim, escolhido para este ano pelo coletivo mineiro da luta antimanicomial como norteador de suas atividades comemorativas e assumido posteriormente como tema nacional de 2010, dialoga com a conjuntura da Reforma Psiquiátrica e com a situação mundial, principalmente aquela destacada a partir do desastre do Haiti que, somada a tantas que se seguiram, se enlaçou a um dos princípios da luta antimanicomial, a solidariedade.
No início do ano um terremoto arrasou a capital Porto Príncipe e complicou ainda mais a vida da população do país mais pobre das Américas. Este ano de 2009, aliás, segue requerendo dos cidadãos muita solidariedade, com os deslizamentos que aconteceram aqui perto, no Rio, os terremotos no vizinho Chile e na distante China.

Na luta diária por uma sociedade sem manicômios, muitos são os terremotos e muitas são as resistências a enfrentar. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) defende a completa substituição do modelo manicomial pelo tratamento em liberdade e a perspectiva da participação social. Para tanto, apóia a Lei da Reforma Psiquiátrica (nº 10.216/2001) e luta pela efetiva implementação dessa política, que exige a transformação de muitas outras políticas e que convoca a sociedade ao olhar e à ação solidária em nome da possibilidade da garantia da igualdade na diversidade.
O 18 de maio deste ano enfoca a solidariedade como compromisso de todos com a felicidade coletiva, com a garantia da cidadania plena a todos os sujeitos.
IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial
Em 30 de setembro de 2009, foi realizada a Marcha dos Usuários pela Reforma Psiquiátrica Antimanicomial a Brasília, evento que reuniu cerca de 2,3 mil participantes entre usuários da Saúde Mental, familiares, trabalhadores da saúde e apoiadores. Organizada pela Rede Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila) com o apoio do CFP, teve conquistas iniciadas nas 13 audiências realizadas em ministérios e no Congresso.

Uma das principais reivindicações foi atendida no mesmo dia, durante a audiência com Gilberto de Carvalho, chefe de Gabinete Pessoal do presidente da República, que transmitiu, em nome do presidente Lula, o compromisso com a realização da IV CNSM.

Com o tema “Saúde Mental direito e compromisso de todos: consolidar avanços e enfrentar desafios”, a Conferência contará com três eixos temáticos:
1. Saúde Mental e Políticas de Estado: pactuar caminhos intersetoriais
2. Consolidando a rede de atenção psicossocial e fortalecendo os movimentos sociais
3. Direitos Humanos e cidadania com o desafio ético e intersetorial
O regimento e a Comissão Organizadora foram aprovados na 206ª reunião do Conselho Nacional de Saúde (CNS), processo no qual o CFP teve e mantém intensa participação. Conheça aqui.



Observatório de Saúde Mental & Direitos Humanos

O Observatório de Saúde Mental e Direitos Humanos, da Rede Internúcleos de Luta Antimanicomial, foi reformulado em fevereiro de 2010, quando ganhounovo visual e teve seus objetivos reforçados. Com espaço privilegiado para abordagens sobre Saúde Mental e Direitos Humanos, o Observatório tem como prerrogativa a defesa por políticas públicas que assistam aos portadores de transtorno mental, a cobrança pelo respeito e pela inserção dos usuários na sociedade. Tem espaço para denúncias de casos de violação de direitos relacionados à saúde mental e notícias sobre políticas públicas para a área. Em 2010, vem cobrindo as movimentações para a IV Conferência Nacional de Saúde Mental.

Ele é um instrumento político para requisitar políticas de Direitos Humanos aos órgãos responsáveis, em busca da construção de uma sociedade melhor, sem manicômios.

Considerando que a Saúde Mental deve caminhar sempre em conjunto com os Direitos Humanos, de forma a garantir assistência em liberdade aos portadores de transtorno mental, por meio da Luta Antimanicomial, o Observatório já conta com amplo número de visitantes que participam com comentários e fazem denúncias que garantem o reforço na busca por direitos perante a sociedade.
Publicação

Para contribuir com as discussões para a IV CNSM, a Renila e o CFP organizaram a publicação "IV Conferência Nacional de Saúde Mental – Intersetorial. Por uma IV Conferência Antimanicomial: contribuições dos usuários".

A publicação traz as pautas encaminhadas pelos usuários aos ministérios e à presidência da República, durante a Marcha dos Usuários pela Reforma Psiquiátrica Antimanicomial. Conta, também, com um mapa detalhando a quantidade de participantes por estado e links para os vídeos oficiais da Marcha.

Sua grande contribuição está na possibilidade de subsidiar a análise e as reivindicações necessárias às políticas públicas, especialmente de saúde mental, no processo da Conferência, em perspectiva afinada com o projeto de uma sociedade sem manicômios e, portanto, solidária e comprometida com os direitos de igualdade e diversidade.

A publicação pode ser acessada aqui . Também está disponível na página do Observatório de Saúde Mental e Direitos Humanos

Os cinco vídeos que sintetizam a Marcha dos Usuários pela Reforma Psiquiátrica Antimanicomial também estão disponíveis na internet  no link http://www.youtube.com/user/confederalpsicol
ogia#p/u/ 4/FG1s-mq5GIc

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Sindrome de Dom Juanismo

































Fica mais difícil entender os novos tempos, quando consideramos que as expressões ficar com... e sair com... significam a mesma coisa, apesar dos termos ficar e sair serem antagônicos.
Donjuanismo é uma expressão em desuso que veio à tona há algum tempo, depois do filme Don Juan de Marco, com Marlon Brando e Johnny Depp. O filme Don Juan de Marco foi escrito e dirigido por Jeremy Leven.
Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem. O primeiro romance com referência ao personagem foi a obra El Burlador de Sevilla, de 1630, do dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Posteriormente Don Juna aparece em José Zorrilla com a estória de Don Juan Tenorio. A figura de Don Juan foi também cultuada na música, em obras de Strauss e Mozart, este último com a ópera Don Giovanni, composta em 1787. Outro paradigma do eterno sedutor é a figura de Casanova, conhecida pela autobiografia do veneziano Giovanni Jacopo Casanova.
Mas a figura do eterno sedutor continua atrelada à Don Juan, que aparece ainda na obra de Molière, em Le Festin de Pierre, no poema satírico de Byron chamado simplesmente Don Juan, no drama de Bernard Shaw, chamado Man and Superman.
Segundo Jung, para quem qualquer forma de arte, assim como os mitos, são veículos para a expressão do inconsciente coletivo, Don Juan pode representar nossos arquétipos (Walter Boechat - veja mais sobre o filme).Trata-se de um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada , inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma mulher.
O donjuanismo representa um protótipo particular de comportamento humano, classificação esta estribada particularmente em valores culturais e morais. Não existe essa denominação no CID.10 ou DSM.IV, mas isso não significa, absolutamente, que pessoas assim deixam de existir.
Independente das interpretações psicanalíticas sobre o filme Dom Juan de Marco, interessa aqui apenas caracterizar um tipo de conduta atual; a inclinação que as pessoas têm para liberdade sexual explícita. A característica principal do que se pode chamar hoje de donjuanismo, seria uma forte compulsão para sedução, entretanto essa ocorrência não é isolada nem única na personalidade da pessoa, mas reflete sim uma estrutura social e comportamental especial.
Descreve-se o donjuanismo como uma personalidade que necessita seduzir o tempo todo, que aparentemente se enamora da pessoa difícil mas, uma vez conquistada, a abandona. As pessoas com esse traço não conseguem ficar apegados a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas. As pessoas com essas características são os anarquistas do amor (Sapetti), tornando válidos quaisquer meios para conquistar, entretanto, os entimentos da outra pessoa não são levados em conta. Aliás, Foucault enfatiza essa questão ao dizer que Don Juan arrebenta com as duas grandes regras da civilização ocidental, a lei da aliança e a lei do desejo fiel.
Em psiquiatria clínica, entretanto, a despeito do aspecto contestador que Foucault quer ver nessa atitude, o desprezo para com o sentimento alheio pode ser critérios para o diagnóstico de Sociopatia ou Personalidade Anti-Social. Para o donjuan só interessa o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a presa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, freira, irmã ou filha de amigo, etc).
Normalmente essas pessoas ignoram a decência e a virtude moral mas seu papel social tenta mostrar o contrário; são eminentemente sedutores. Sobre essa característica o escritor Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: "Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença ...".
O aspecto de desafio mobiliza o donjuan, fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em conquistar essa ou aquela mulher. Não é raros que esses conquistadores tragam listas e relações das mulheres conquistadas, tal como um troféu de caça.
Por outro lado, segundo Kaplan, deve haver significativos sentimentos homossexuais latentes desses indivíduos. Esse autor considera que, levando para a cama a mulher de outro, o donjuan estaria inconscientemente se relacionando com o marido, motivo maior de seu prazer. Tanto que é maior o prazer quanto mais expressivo é o marido ou namorado traído.
O narcisismo (traço feminóide) dessas pessoas é uma das características mais marcantes, ao ponto delas amarem muito mais a si mesmas que a qualquer outra pessoa conquistada. Outros autores acham o donjuanismo um excesso do complexo de Édipo, ou fixação na mãe, já que muitos deles não constituem família com nenhuma de suas conquistas e acabam vivendo para sempre com suas mães.
Nos casos mais sérios a inclinação à sedução pode adquirir caráter de verdadeira compulsão, tal como acontece no jogo patológico. De certa forma, a conquista compulsiva do Donjuan serve-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, entretanto, uma vez possuído o que desejava, já não o deseja mais. Em alguns casos o Donjuancomeça a se desestimular com a conquista, quando percebe que a mulher conquistada já está apaixonada por ele, ou ainda, pode nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento em que ele percebe que a mulher aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a mulher é indiferente ou não cede à sua sedução, o Donjuan se torna mais obstinado ainda.
Não será totalmente lícito dizer, como dizem alguns, que o Donjuan se diverte com o sofrimento alheio. Na realidade parece mais que seja insensível ao sentimento alheio do que tenha prazer com ele. De fato, parece que eles não experimentam com o amor o mesmo tipo de sentimento que as demais pessoas. O amor neles é um sentimento fugaz, passageiro e que, continuadamente, tem o objeto alvo renovado. Se algum déficit pode ser apurado na personalidade do Donjuan, este se dá no controle da vontade.
Apesar dessa compulsão à sedução, isso não significa que a pessoa portadora de donjuanismo seja, obrigatoriamente, mais viril ou mais ativo sexualmente. A contínua sedução do donjuan nem sempre se dá às custas de um eventual desempenho sexual excepcional mas sim, devido à habilidade em oferecer sempre às mulheres tudo aquilo que elas mais estão querendo. Nesse sentido, todos eles são sempre muito inconstantes, desempenham papeis sociais sempre teatrais e exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso fazem sempre o tipo "príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. Eles têm habilidade em perceber rapidamente os gostos e franquezas de suas vítimas e, são igualmente rápidos em atender as mais diversas expectativas.
Há quem considere como uma das características fundamentais da personalidade do donjuan uma acentuada imaturidade afetiva. O aspecto volúvel e responsável pela constante troca de relacionamento pode ser indício dessa imaturidade afetiva e indica, sobretudo, uma completa carência de responsabilidade ou medo de assumir os compromissos normais das pessoas maduras (casamento, família, filhos, etc.).
"Ficar com..."
"Ficar com...", "sair com...", "namorix", são termos atualmente usados para designar a atitude de se relacionar sexualmente (com penetração sexual ou não), fortuitamente, fugazmente e sem nenhum compromisso de continuidade. Este relacionamento é fortuito porque não implica, obrigatoriamente, em nenhuma combinação ou contrato prévio, é fugaz devido à provisoriedade da união. Não há compromisso de continuidade porque, ao menor sinal de interesse de um dos envolvidos no sentido de continuar, a relação se desfaz e é evitada (diz-se que fulano(a) não é legal porque pega no pé). Nessa nova modalidade de relacionamento não há envolvimento amoroso, não há cobrança de compromisso e os objetivos se concretizam e se esgotam no orgasmo ou na despedida, normalmente com satisfação bilateral.
A mulher começou a expandir significativamente sua sexualidade depois da disseminação do uso da pílula anticoncepcional, nas décadas de 60-70, e a inconseqüência sexual que antes era monopólio dos homens, também passou a ser experimentada por ela. Descobriu-se que o prazer podia ser bilateral e, a partir daí, deixou-se de falar que fulanose aproveitou de fulana; ambos se aproveitam.
A atitude de "Ficar com..." é diferente daquilo que se entende por donjuanismo porque não implica numa verdadeira conquista. "Ficar com..." é uma afinidade recíproca, e um não conquista o outro porque ambos estão, decididamente, com o mesmo objetivo em mente.
Se no donjuanismo a insensibilidade e menosprezo para com o sentimento alheio são a marca do diagnóstico, "ficar com..." implica, em essência e caracteristicamente, na ausência de sentimentos mais profundos de ambas as partes. Assim sendo, não havendo sentimentos profundos, não há o que menosprezar.
Conseqüentemente e decididamente, entre a população adepta do "ficar com..." não há espaço para o Donjuan. Nesse meio ele não encontra sua presa, já que as mulheres não preenchem os requisitos de candidatas. Aqui as mulheres, como se diz, estão a fim, não costumam ser comprometidas, não são conquistadas, uma vez que o conluio é também o objetivo delas, portanto, a compulsão do Don Juan se desfaz ante a ausência do desafio.
Donjuanismo Feminino
Mas, mesmo com a moda do "ficar com..." e com a maior liberalidade feminina o donjuanismo não desapareceu. Antes disso, atualmente já pode ser possível observá-lo entre as mulheres. Embora num campo da ação muito mais restrito, o donjuanismo continua fazendo suas vítimas sentimentais; agora, femininas e masculinas.
Não há designação satisfatória para descrever a mulher que preenche os requisitos do donjuanismo, mas elas existem indubitavelmente. São também pessoas movidas pela compulsão da conquista do outro, pela inclinação ao relacionamento impossível, seja com homens mais velhos ou muito mais novos, casados, padres, enamorados de outras mulheres, enfim, pessoas que oferecem alguma condição de desafio.
No donjuanismo feminino, tanto quanto no masculino, não há necessidade invariável de concluir a conquista através do ato sexual. Basta a mulher perceber que o objeto da conquista está, digamos, aos seus pés, que a motivação para continuar o relacionamento se desvanece.
Representação Cultural do Donjuanismo
Evidentemente o mito de Don Juan pode epresentar um ideal masculino e, em alguns segmentos culturais, também um ideal feminino. A conquista como reforço da auto-estima pode, durante alguns momentos da vida ou em certas circunstâncias afetivas, ser eficiente. Entretanto, sendo a personalidade mais bem estruturada, a atitude conquistadora acaba mais cedo u mais tarde.
Outra característica que diferencia as conquistas circunstanciais, apesar de múltiplas, do donjuanismo, é a ausência de consideração para com os sentimentos alheios que sempre está presente neste último. Nas conquistas múltiplas e circunstanciais a pessoa tem boa noção e crítica sobre os eventuais transtornos sentimentais causados nas pessoas conquistadas e, em seguida, abandonadas. Evidentemente a existência da atitude de Don Juan só existe em decorrência da existência da vítima, ou seja, o Don Juan só tem sucesso passando-se por príncipe, encantado enquanto houver mocinhas em busca de príncipes encantados.
O Don Juan nunca é uma pessoa absolutamente normal, trabalhadora e submetida às angústias do cotidiano como qualquer um, nunca é uma pessoa que sofre as limitações costumeiras da falta de dinheiro, do tédio da monotonia da vida e coisas assim. Normalmente o papel do Don Juan é excêntrico e exótico, ele é de fato o que sonham as mocinhas incautas.
Psicopatologia:



- Seria o donjuanismo uma doença?
- Seria uma doença, merecedora de tratamento ?
Considerando o critério estatístico, aquele que constata a normalidade ou não-normalidade tomando como base a ocorrência estatística do fenômeno, podemos dizer que o donjuanismo não é normal (maioria dos homens não são assim).
Mas, a maioria dos homens não é assim? Não conquistam? Não se arriscam a novos relacionamentos?
Na realidade, a diferença está no fato de que a expressiva maioria dos homens não é destituída de consideração para com o sentimento dos outros, mais especificamente, podemos dizer que a maioria os homens se mobiliza com o sentimento das mulheres.
Mas, em psiquiatria ou na medicina geral, ser não-normal não significa, obrigatoriamente, ser doente. Para ser objeto de atenção médica é necessário que essa não-normalidade implique num aspecto de morbidez, ou seja, implica na necessidade de sofrimento da pessoa ou de terceiros. Então, o donjuanismo poderá ser objeto de atenção médica na medida em que produz sofrimento.
Dentre os quadros classificados no DSM.IV e na CID.10, alguns critérios encontrados no Donjuan podem também ser encontrados noTranstorno Dissocial da Personalidade, da CID.10, ou em seu correspondente no DSM.IV, Transtorno Anti-social da Personalidade.



Entre os critérios do DSM.IV para o Transtorno Anti-social da Personalidade temos os seguintes:
Critérios para 301.7 - Transtorno da Personalidade Anti-Social

A. Um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
(1) fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção
(2) propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer
(3) impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro
(4) irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas
(5) desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia
(6) irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras
(7) ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.
B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.
C. Existem evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de idade.
Entre esses critérios do Transtorno Anti-social da Personalidade, oDonjuan puro e sem outra patologia poderia cumprir os itens 1, 2, 3 e 7. Não mais que isso e, talvez isso não seja suficiente para alocar essas pessoas nessa classificação. Normalmente elas trabalham, não costumam ser irritáveis e agressivas, não desrespeitam a segurança própria, etc.
Entretanto, sob o código 302.9 do DSM.IV há o chamado Transtorno Sexual Sem Outra Especificação. Diz lá, que esta categoria é incluída para a codificação de uma perturbação sexual que não satisfaça os critérios para qualquer transtorno sexual específico, nem seja uma Disfunção Sexual ou uma Parafilia. Cita como exemplos o seguinte:




1. Acentuados sentimentos de inadequação envolvendo o desempenho sexual ou outros traços relacionados a padrões auto-impostos de masculinidade ou feminilidade.
2. Sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas.
3. Sofrimento persistente e acentuado quanto à orientação sexual.
Nosso Don Juan poderia ser incluído no item 2 desse diagnóstico mas, mesmo assim, fica meio vago e pouco preciso pois, em nosso caso, o sofrimento seria mais por conta das vítimas do Don Juan que dele próprio e isso não está claro na descrição do DSM.IV.
Conclusões
A impressão (falsa) que se tem sobre o donjuan é que, assim como é bem sucedido nas conquistas amorosas, também deve sê-lo em relação aos demais aspectos de sua vida. Entretanto, apesar dessas pessoas dominarem muito bem a arte da conquista do sexo oposto, elas não costumam ter a mesma habilidade em outras áreas da atividade humana; ocupacional, empresarial, estudantil ou mesmo familiar.
A trajetória de sua vida nem sempre resulta num final satisfatório. Normalmente as pessoas com esse perfil de personalidade acabam por não se fixarem com nenhuma companhia mais seriamente, não constituem família e acabam se aborrecendo quando constatam que não têm mais facilidade para conquistar mocinhas de 20 anos quando já estão na casa dos 60. Além disso, muitas vezes acabam ridicularizados por essas tentativas totalmente fora do contexto.
Além disso, eles podem atravessar períodos de grande angústia na maturidade quando se dão conta de que todos seus amigos estão casados têm família e eles já não podem desfrutar de tantas companhias femininas como outrora.
Tendo-se em mente a natureza constitucional do donjuanismo, ou seja, considerando ser este um defeito do caráter, o tratamento mais eficiente deve ser pleiteado para as intercorrências emocionais que acometem o paciente por conta da situação vivencial em que se encontra e não, diretamente dirigido à essa característica da personalidade.




para referir:
Ballone GJ - Síndrome de Don Juan e "Ficar com" - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2004.










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